segunda-feira, 31 de março de 2008

Momento mulherzinha













Querido diário,




Esses dias eu recebi o sorriso mais lindo da minha vida.




Eu, com a minha eterna mania de não perceber que as pessoas realmente gostam de mim, fiquei tão emocionada quando aquele povo todo foi me ver, parou de trabalhar, rolaram abraços, felicidades, e sei lá mais o quê. E eu pensando, "mas nossa, faz dois meses que eu não trabalho aqui, vocês ainda gostam de mim?".




Aí né, o cara que me fez perder o ônibus porque a gente ficou muito tempo se despedindo do meu último dia, que me disse: "você é minha melhor amiga, véio" e que me fez chorar bicas, apareceu na minha frente e plim! Sorriso.




Não foi um sorriso. Foi o sorriso. Uma das poucas vezes na vida eu olhei para alguém e vi aquela felicidade sincera. Uma saudade insana, aliada à uma amizade grande junto com um carinho imenso. Aí como eu vou evitar de sorrir também?




Eu não gosto quando sorrio de volta. Nesse caso, em específico, sei que é terreno seguro. É uma amizade estável. Sei para onde a gente vai, não vou me perder pelo caminho. Mas em outras relações - na maioria delas - eu sempre estou dando passos receosos.




Então, por mais que eu queira, não vou poder sorrir de volta para todos que sorrirem de verdade para mim. Porque eu ainda não estou pronta para ficar à mercê de sentimentos. Não funcionou antes. Não quero que funcione agora.




Querido diário, é muito ruim ser mulherzinha. E eu sou muito mulherzinha. Será que as pessoas vão sorrir para mim sabendo disso?



"Um sorriso é a distância mais curta entre duas pessoas." Victor Borge

domingo, 9 de março de 2008

Aleatoridades




O ser humano é terrível. Sério. Por mais que tudo esteja nos mínimos detalhes milimetricamentes perfeitos e prontos para a felicidade, ele ainda consegue enxergar alguma desgraça iminente. Uma razão para ser triste, para ser o coitado, para ter problemas infindáveis e impossíveis de se solucionar.

Ora, por que existe esse vontade tão imensa de se auto-sabotar? Porque as pessoas não podem simplesmente aceitarem que coisas boas acontecem de verdade, sem que você tenha que pagar um preço muito grande por elas. Por merecimento. Que diabos aconteceu com a esperança, a fé, a vontade de vencer?

Ultimamente tem parecido mais fácil ter algum tipo de problema psicosocial para explicar as bipolaridades de espírito que a gente sofre o dia todo, diariamente. Argh. O que eu estou tentando dizer, de forma extremamente desarticulada, é que eu lembrei como era feliz.

De verdade. Só por viver. Por ter mais possibilidades que a maioria, mais chances, mais vontade, mais liberdade, mais coragem. E eu nunca fui de reclamar da vida e choramingar nos ombros alheios. Então preciso me recompor. Não vejo problema em sairmos dos trilhos vez ou outra, mas é sempre necessário encontrar a hora de voltar. E chega para mim.

Minha volta na montanha russa da auto-comiseração já terminou. Melhor parar de procrastinar a vida maravilhosa que eu perdi nesses dias e que é minha. Graças a Deus.

Que tal se todo mundo conseguisse viver um dia de cada vez e ser feliz a cada momento único?
"Almejas voar mas temes ficar tonto?" Goethe